Luiz Ruffato apresenta Amores Vagos

Luiz Ruffato (Perfil Literário, abril 2009)

1985: o Brasil acabava de se livrar da ditadura militar e perspectivas imensas se abriam para a população do país. Mas, devido à desorganização da economia, vieram anos duros, a chamada “década perdida”, com inflação fora de controle e aventuras políticas, como a desastrada tentativa de Fernando Collor e seus asseclas de constituírem um poder mafioso incrustado no Estado. Nessa mesma época, interessados em ampliar seus conhecimentos sobre a escrita, Alexandre Brandão, Nilma Lacerda, Miriam Mambrini, Marilena Moraes, Vânia Osório, Sônia Peçanha e Cristina Zarur frequentavam uma oficina literária. Desse encontro, efêmero e circunstancial, nasceu uma grande amizade, edificada em interesses comuns e admiração mútua. Vencendo as vicissitudes dos dias – e foram tempos difíceis, e foram tempos complicados –, eles mantiveram-se unidos, e lá se vão 25 anos! Em 1991, publicaram A palavra em construção, primeira coletânea a reunir os contos do grupo, do qual Amores vagos é desdobramento e coroamento. O leitor perceberá, neste livro, que, embora não necessariamente (afinal, distante está a época das “profissões de fé”), podemos detectar alguns procedimentos convergentes, como a preponderância do espaço urbano, o realismo da narrativa, a linguagem coloquial. Amores vagos, enfim, é uma declaração de princípios, que tem como corolário a reafirmação da literatura e a reafirmação da amizade num mundo que vem refutando uma e menosprezando a outra. E é também um convite: um convite para que nós, leitores, partilhemos esse momento de trégua e reflexão.

Luiz Ruffato

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8 Comentários

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8 Respostas para “Luiz Ruffato apresenta Amores Vagos

  1. Muito bacana esse projeto de vocês, e a persistência, com certeza divertida e enriquecedora.
    Meus parabéns!

  2. Joyce

    posso ter algo em comum tbm? eu tenho 25 anos, assim como a amizade de vcs!

  3. Parabéns ao Luiz Ruffato pela apresentação de Amores Vagos. Teve a capacidade nos contextualizar historicamente, enquanto leitores, e sumarizar o encontro de vontades e almas que se concretizam no Estiligue. É, igualmente, sensível e tocante ao reafirmar “uma declaração de principios” que consagra a amizade e a liteatura em um mundo cada vez mais desagregado, desconfiado e reativo.
    Me parece que amores vagos são assim mesmo. São alquimias que os proprios criadores tem dificuldade de explicar. Também, explicar para quê?

  4. Teresa Cristina

    Interessante mesmo a apresentação do Luiz Rufatto. E essa “declaração de princípios” – amizade e literatura – está tão bem reproduzida numa foto no Jardim Botânico: vê-se ali não o mundo desagragado, desconfiado e reativo, usando as palavras de Del Vigna, mas o mundo dos amores.

  5. virginia honse

    parabéns! é bom ler que resistem grupos como o de vocês, amigos ao redor da literatura, neste mundo cada vez mais magro de palavras de amizade e de páginas que interessam; daquelas que a gente vira e tornam a falar sozinhas.
    obrigada, soninha, por ter me apresentado ao blog.

    • Sônia

      Querida Virginia,

      eu é que agradeço você ter chegado até aqui. Espero que depois nossos AMORES VAGOS também achem você. Bjs

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