Estilingues em São Gonçalo

No dia 26 de março, a caravana estilingues foi visitar o Sesc São Gonçalo, um primor, aliás. É um espaço onde convivem esporte, cultura, atendimento odontológico; portanto, um espaço para o qual as famílias da região podem ir e passar seu sábado, seu domingo de forma plena.

Na área em que estivemos, há um imenso espaço com livros. Ali, são feitas leituras para crianças (“contação” de história), além de eventos como o que participamos. Alice Cavalcanti e sua equipe cuidam de tudo com zelo. Para se ter uma ideia, no nosso encontro foi servido café, sucos e uma pastinha, tudo preparado por nutricionistas. Um dos sucos era de limão com couve, o outro maracujá com erva-cidreira. A pastinha, feita de talos. O máximo dos máximos: as receitas estavam à disposição de todos que quisessem levá-las para casa. Enfim, buscam unir o útil ao agradável.

Algumas fotos do evento de ontem. Fotos tiradas por mim, por Vânia Osório e por Alice Cavalcanti. Fica como registro de um dia ótimo, no qual reforçamos mais uma vez nosso desejo de levar o livro para todos os lugares possíveis.

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Enquanto aguardamos as fotos

Hoje, estilingamos em São Gonçalo, numa tarde adorável. Enquanto organizamos as fotos tiradas por lá, deixamos vocês com um pequeno poema de Marilena Moraes, feito à medida para essa lua mais do que grande que tangenciou a terra.

Superlua

Marilena Moraes

Rasgou-me sem dó a retina
Abriu com força a cortina
Se jogou no meu sofá

Lambeu o tapete da sala
Beijou a planta da jarra
Volúvel, volátil, só vem visitar.

(Este poema está publicado também no Plástico Bolha, blog que acompanhamos com entusiamo.)

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Estilingando em São Gonçalo

Estilingueiros e estilingueiras,

No próximo 26 de março, estaremos em São Gonçalo, exatamente no Sesc, para lançar nosso Amores vagos por lá. Como todos sabem, o livro circula sem ônus para os leitores, portanto, esse lançamento será bem mais uma oportunidade de batermos um bom papo com leitores. Todos são convidados, São Gonçalo é logo ali.

 

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Em São João del Rey

A caravana Estilingues participou do 4o. Felit em São João del Rey. Alexandre Brandão, Sônia Peçanha e Vânia Osório compartilharam um sábado intenso com um grupo muito legal. Formado em grande parte por alunos do ensino fundamental da cidade, o grupo contou também com a presença de pessoas com formação sólida: uma psicóloga e uma funcionária da Fundação Municipal de Cultura de BH, que faz um trabalho importante de estímulo à leitura.

Aos poucos vamos nos organizando para falar do evento, por enquanto, registramos algumas fotos da turma. Veja-as aqui.

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Leitura de Amores vagos por Haron Gamal

Amigos, o “Amores vagos”, livrinho de nosso projeto Estilingues, continua levantando a poeira por aí. Dessa vez, ganhou resenha de Haron Gamal em seu blog (e também na Folha Carioca, jornal que circula gratuitamente no Rio de Janeiro). Quem quiser conferir, dê apenas um clique aqui .


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Estilingando em São João del Rey

O 4o. Felit, Festival de Literatura de São João del Rey, acontecerá entre os dias 26 e 28 de novembro. A homenageada do ano será Ana Maria Machado. A programação do evento, sob a curadoria de Heitor Ferraz, está reproduzida a seguir.

Três autores do projeto Estilingues, Alexandre Brandão, Sônia Peçanha e Vânia Osório, darão oficina no dia 27.

Programação

Programação do 4° FELIT

26 a 28 de novembro de 2010

Curadoria:

Heitor Ferraz (Jornalista e poeta) – São Paulo

Galpões da Rotunda – Complexo Ferroviário de São João del-Rei

Espaço Ana Maria Machado: Plenárias

Espaço Criança : Atividades literárias / educativas – Público: 05 a 10 anos

Espaço Alquimia: Café Literário

Espaço Multiuso:

Exposições: “A prosa de Otto Lara Resende” / dos alunos da oficina do Felit / dos alunos do IPTAN

Espaço do Saber : Feira de Livros

ABERTURA :

PRIMEIRO DIA – 26 DE NOVEMBRO – SEXTA-FEIRA

Espaço Criança

08h – Atividades lúdicas e literárias apenas para crianças entre 5 e 10 anos de idade, agendadas previamente com escolas de SJDR.

Espaço Ana Maria Machado

15h – Encontro da autora homenageada com as escolas do ensino fundamental de São João del-Rei-

18h – Encontro Marcado

Encontro da autora homenageada com os alunos da Oficina de Produção Literária do FELIT

(Evento fechado)

20h – Abertura Oficial

Conferência da autora homenageada Ana Maria Machado: Porque ler os clássicos / A literatura brasileira ontem e hoje

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SEGUNDO DIA – 27 DE NOVEMBRO – SÁBADO

Espaço Ana Maria Machado

9h30m – Entrega do prêmio ao vencedor do Concurso de Crônica do FELIT

10h – Painel: A prosa de Otto Lara Resende

Participantes:

Heitor Ferraz (Curador do 4° FELIT, jornalista e poeta) – SP

Humberto Werneck (Jornalista, cronista e escritor) – BH

Guilherme Jorge de Rezende (Jornalista e professor / UFSJ) – SJDR

15h – A literatura de Ana Maria Machado

Mediador: Sônia Haddad (Educadora e poeta) – SJDR

Debatedores:

1 – Regina Zilberman (Professora da PUC-RJ e escritora) – RJ

2 – Beatriz Resende (Professora da UFRJ e escritora) – RJ

18h30 – Literatura Ontem e Hoje: Novas Formas da Literatura Infanto-Juvenil

Mediador:

Heitor Ferraz (Curador do 4° FELIT, jornalista e poeta) – SP

Debatedores:

1 –Bartolomeu Campos de Queirós (Escritor) – BH

2 – Nelson Cruz (Ilustrador) – BH

3 – Fernando Vilella (Artista plástico e ilustrador) – SP

21h : A Voz da poesia brasileira

Mediador

Annita Costa (Escritora) – SP

Debatedores:

1 – Carlito Azevedo (Poeta) – RJ

2 – Manuel Ricardo de Lima (Poeta e professor da Uni-Rio) – RJ

3 – Ricardo Aleixo (Poeta e artista visual/sonoro) – BH

23h – Sessão Maldita

Sarau com autores convidados do FELIT

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TERCEIRO DIA – 28 DE NOVEMBRO – DOMINGO

Espaço Ana Maria Machado

9h – FELIT – Formando jovens autores / Lançamento do livro “As arte-manhas do poder”

Apresentação:

Ana Lúcia Nogueira (Professora) – SJDR

Roginei Paiva (Professor e poeta) – SJDR

Patrícia Monteiro (Arte educadora) – SJDR

Denny José Almeida Costa (Professor e ator) – SJDR

11h : Teatro de Bonecos: “O Construtor do Imaginário”, da Companhia de Inventos / Tiradentes 

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Eventos paralelos:

01 – Oficina: Criando histórias e bichos com sucatas

Professora: Débora Engelender (Artista visual, arte educadora e escritora) – Tiradentes

Público alvo: crianças e adolescentes entre 10 e 12 anos de idade

Sábado e domingo : 9h às 12h

Vagas: 20

Objetivo:

- Promover um novo olhar sobre o mundo e as coisas, de forma lúdica

- Instrumentar o aluno para a criação de textos através da oralidade

- Estimular a criatividade e a imaginação do aluno através da feitura de personagens de suas próprias narrativas com objetos candidatos ao lixo

02 – Oficina: “A palavra em construção: da escrita ao livro”

Oficineiros:

Alexandre Brandão (Educador e escritor) – RJ

Sônia Peçanha (Educadora e escritora) – RJ

Vânia Osório (Educadora e poeta) – RJ

Data: 27 de novembro (sábado)

Horário: 09h às 12h14h às 17h

Carga horária: 6 horas

Público alvo: Jovens a partir de 16 anos de idade, universitários e professores

Vagas: 30

Objetivo:

- Oferecer ao participante instrumentos que facilitem o processo da escrita

- Instrumentar o aluno para a criação de poemas, contos e crônicas

- Orientar o aluno no processo de feitura do livro

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Observação : No dia 27 (sábado), o Espaço Criança funcionará entre 8h e 17h, e no dia 28 (domingo), entre 9h e 11h, com atividades para o público presente no evento.

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Amores vagos no Ponto de Leitura de BH

Recebemos as fotos que ilustram este post do escritor Sérgio Fantini, também funcionário da Fundação Municipal de Cultura de Belo Horizonte. É ele quem nos conta:

“PONTO DE LEITURA é uma atividade da Fundação de Cultura de BH que acontece todos os domingos no coreto do parque municipal: expomos livros e revistas entre 9 e 13h. As pessoas chegam e pegam o que lhes interessa e se sentam e ficam por ali.

O parque fica no centrão da cidade. O público é bem variado, formado por crianças até idosos, e prioritariamente ‘popular’.”

Livros e revistas do Ponto de Leitura (BH). Foto enviada por Sérgio Fantini.

Leitora de "Amores vagos" numa praça em BH. Foto enviada por Sérgio Fantini.

Em BH, no Ponto de Leitura. Foto enviada por Sérgio Fantini.

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UM AMOR FULGURANTE (Miriam Mambrini)

Tela da artista Vanessa Stafford, copiada do site: http://farhatartmuseum.blogspot.com/2010/10/vanessa-stafford-naive-artist.html.

A primeira vez que o vi foi numa foto da turma de meu irmão no colégio. Bem no meio do grupo de adolescentes uniformizados, lá estava ele, nem mais bonito, nem mais feio do que os outros. Talvez mais sério, embora todos ali estivessem sérios, até Luis que vive rindo e fazendo piada de tudo.

“Quem é esse?”

“É o Fúlvio”.

“Fúlvio? Que nome!”

“O Fúlvio é gênio.”

“É por isso que tem esse nome?”

Luís fez uma careta, disse “engraçadinha!” e partiu para alguma de suas atividades turbulentas. Era diferente de mim, que vivia mergulhada em livros. Peguei o retrato e levei para o quarto.

No dia seguinte, olhei de novo o rosto de Fúlvio. Tinha sobrancelhas muito grossas que acentuavam o escuro dos olhos. Sobrancelhas que nenhum ali tinha. E ainda havia o nome: Fúlvio. Ninguém que eu conhecesse se chamava Fúlvio. Um nome que parecia em chamas, fulgurando, refulgindo, fulminando. Além disso, era gênio, aprendia depressa praticamente sem estudar, segundo Luís. Eu estava sempre buscando notas altas para provar que era inteligente, mas elas só vinham após muitas pestanas queimadas em velas simbólicas. Eu admirava os gênios, invejava os gênios.

Os colegas de Luís eram uns pirralhos. Viviam se empurrando, rindo, falando alto, usavam aparelhos nos dentes, tinham espinhas no rosto, cheiravam a suor. Fúlvio, eu nunca vira. Ele era aquela imagem comportada da foto. Parecia mais velho do que os outros, mais homem. De tanto olhá-lo, comecei a perceber novos detalhes além das sobrancelhas grossas e dos olhos escuros. As orelhas eram bem coladas ao crânio, os cabelos, espessos, talvez ásperos, o nariz bem feito, quase feminino.

“Luis, por que é que você nunca trouxe o Fúlvio aqui em casa?”

“Ele não é da minha patota”

E depois de um silêncio:

“Perdeu o pai no princípio deste ano”.

“Coitado! Chama ele pra vir aqui.”

Luis me olhou desconfiado.

“Por quê?”

“Sei lá, pra consolar ele”.

A primeira vez que vi Fúlvio em pessoa foi na porta do colégio, no dia em que levei a caderneta que Luis esqueceu em casa. Havia um bolo de adolescentes em algazarra na rua. No meio de toda aquela agitação,  meus olhos esbarraram no rapaz da foto. Quando o encarei, ele desviou seus olhos rapidamente. Era muito mais jovem do que no retrato. Mesmo assim, levada não sei por que demoniozinho interno, tentei recuperar aquele olhar tímido. Olha pra mim, Fúlvio! Olha! Mas o menino ainda não estava pronto para enfrentar o olhar de uma mulher com seios, cintura fina, saltos altos. Mulher de quase dezessete anos.

Achei Luis, entreguei a caderneta.

“Aquele ali é o Fúlvio?”

“É”

“Parecia mais velho na foto”.

“É o mais moço da turma. Ainda não fez quinze anos”.

Abri caminho entre os adolescentes que começavam a entrar pelo portão de ferro do colégio. Fúlvio agora estava na minha frente. Num impulso, passei a mão na sua cabeça. Senti a textura de seus cabelos. Eram mesmo ásperos. Ele se voltou assustado. Fiz um ar distraído de não estou aqui, mas tenho certeza de que percebeu que tinha sido minha a mão a tocá-lo.

Voltei à porta do colégio alguns dias depois, na hora em que as aulas começavam. Sabia que Luis não estaria lá. Ficara em casa, de cama, gripado. Fúlvio esperava que a porta abrisse, encostado numa árvore, isolado dos outros.  A sombra dos galhos desenhava figuras de sombra e luz no seu rosto.

Me aproximei. Ele saiu de onde estava, sem se apressar nem olhar pra mim. Como se tivesse tomado a decisão de ir para outro lugar por causa de pequenas folhas que caíam sobre ele.

“Está com medo?”, perguntei alto.

Ele parou.

“Medo de que?”

“De mim”.

Ele sorriu. “Não usa aparelho”, pensei com alívio.

“Não tenho medo de nada”, disse e se dirigiu à porta do colégio.

Uma semana mais tarde, apareceu lá em casa depois da aula. Tinha se oferecido para estudar matemática com o Luis que estava arriscado a não passar de ano. Foram os dois para o quarto do meu irmão.

Fiquei esperando por uma ocasião para estar a sós com ele. Finalmente Luís saiu do quarto, dizendo que ia ao banheiro. Devia estar cansado da matemática e do geniozinho. Fúlvio ficou sozinho. Entrei, me sentei ao lado dele na cama. Não disse nada. Peguei sua mão e coloquei-a no meu peito. Com minha mão por cima da dele, fiz com que sentisse o volume dos seios, e os bicos durinhos. Depois me curvei e beijei-o rapidamente na boca.

Me levantei depressa para que meu irmão não me surpreendesse ali. Antes de sair, disse seu nome e só isso. Deixei-o estatelado, sem ação. Devia ser seu primeiro beijo, seus primeiros seios. Eu mesma estava sem fôlego, espantada de ter feito aquilo.

Houve estudos nos dias que se seguiram. E momentos em que Luis se cansava, ia dar uma volta e deixava o colega sozinho. Com o coração batendo forte, eu entrava. A cada dia, me desembaraçava mais. Não tinha vergonha de nada, fazia tudo o que me dava vontade, sempre em silêncio, exceto pelo nome dele, que eu dizia, ás vezes acompanhado por um adjetivo: Fúlvio fulgurante, Fúlvio fulgente, Fúlvio fulminante.

Naqueles breves momentos em que ficamos a sós, aprendi coisas e ensinei coisas. Seu rosto infantil parecia amadurecer sob as minhas carícias. Ele também perdia a vergonha. Como eu, calado. Uma vez, apenas uma vez, depois que demos um beijo de língua mais demorado, disse meu nome: Lavínia.

Tudo sempre acontecia de forma intensa e rápida, os passeios da minha mão audaciosa, os tateios de seus dedos desajeitados, os encontros de nossas bocas famintas. Nossa estréia nos mistérios do amor se fazia com ansiedade e pressa, os ouvidos atentos a qualquer barulho. Não havia tempo a perder. Luis podia voltar. Alguém podia entrar. Por milagre, nunca fomos surpreendidos.

Acabaram as provas, chegaram as férias. Fúlvio não veio mais. Arranjei um namorado no calor do réveillon, um estudante do último ano de economia, e passei a sair com ele. Depois de algum tempo, comecei a transar com meu namorado. Dois anos depois, nos casamos.

Quanto a Fúlvio… Fúlvio?

 

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Notícias Estilingueiras e lançamento Plástico Bolha

O pessoal do Estilingues está um pouco sumido, mas, não se enganem, não está parado. Em novembro, estaremos na 4a. Felit, em São João Del Rey. Aguardem um pouco e daremos detalhes de nossa participação nessa festa que homenageará Ana Maria Machado.

O post de hoje, todavia, é para divulgar o lançamento de um livro. A coletânea é de autores que gira em torno do Plástico Bolha, entre eles Marilena Moraes. A “festa” é no próximo dia 4 de novembro, às 19h30m na Livraria Ponte de Tábuas. O convite está logo aqui. Com certeza, outros estilingueiros estaremos por lá.


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Evento na Casa Rosa – Rio de Janeiro

Na primeira semana de outubro, a famosa Casa Rosa, em Laranjeiras, no Rio de Janeiro, receberá o evento de poesia “Apuncultura”. Poetas, preparem seus trabalhos e subam a Rua Alice.

Nós, estilingueiros, devemos pintar por lá, levando, claro, alguns exemplares do “Amores vagos”.

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